Johann Sebastian Bach – música para teclado (cravo) – 1

Todas as obras de JS Bach para teclado foram originalmente compostas para cravo. O fortepiano surgiu cerca de 1700, mas só passou a ser empregado como instrumento a partir da segunda metade do século 18 – início do século 19. O cravo tem um som metálico, que não é tão agradável quanto o do piano. A seguir são incluídas duas interpretações da suíte inglesa número 3, uma em piano outra em cravo, para poderem ser ouvidas. A sonoridade é bem diferente.

A wikipedia lista toda a obra para teclado de JS Bach.

JS Bach compôs uma série de 6 suítes inglesas e 6 suites francesas. Apesar do nome, as suítes inglesas se assemelham em estrutura ao estilo barroco francês. Existem gravações integrais de todas as suítes inglesas e francesas, por diversos pianistas. A interpretação aqui escolhida para piano é pessoal.

Para cravo.

Algumas obras para teclado de Bach são longas. Uma dela são as variações Goldberg, BWV 988. Segundo um dos biógrafos de JS Bach, Johann Nikolaus Forkel, a composição das variações Goldberg deve-se ao seguinte fato:

… temos de agradecer à provocação do ex-embaixador russo no tribunal eleitoral da Saxônia, o conde Kaiserling, que por vezes visitava Leipzig e trazia consigo o mencionado Goldberg, para que recebesse aulas de Bach. O conde ficava doente com frequência e passava noites sem dormir. Goldberg, que se hospedava em sua casa, tinha que pernoitar em uma antecâmara para tocar para ele durante sua insônia. … Certa vez, o conde mencionou à Goldberg na presença de Bach que gostaria de ter algumas peças de cravo para Goldberg, que deveriam ser de um caráter tão suave e um tanto animado que ele poderia ficar um pouco animado por elas em suas noites sem dormir. Bach considerava ser capaz de realizar esse desejo por meio da composição de Variações, cuja escrita havia considerado até então uma tarefa ingrata por causa da base harmônica repetidamente semelhante. Mas, como todas as suas obras então já eram consideradas exemplos de composição, decidiu compor as variações. O conde sempre as chamou de suas variações, das quais nunca se cansou. Em suas noites sem dormir pedia a Goldberg para tocá-las. Bach talvez nunca tenha sido tão recompensado por uma de suas obras como por esta, tendo recebido uma taça de ouro cheia de 100 luíses-d’or. No entanto, mesmo que o presente fosse mil vezes maior, seu valor artístico ainda não teria sido pago.

Mais sobre as variações Goldberg na wikipedia (em inglês). O conjunto das variações tem cerca de 1:30 h de duração.

Veja aqui a moeda de luis d’or.

Autor: Roberto G. S. Berlinck

Professor do Instituto de Química de São Carlos, USP